Secretário de SP pode ser preso por reduzir frota de ônibus
Justiça recebe pedido de prisão de secretário de São Paulo por cortar a quantidade de ônibus, afetando o custo e a qualidade do transporte público para milhares de usuários.

PT pede prisão de secretário de São Paulo após denúncia de redução na frota de ô
Partido acusa gestão municipal de descumprir decisão judicial durante o segundo turno das eleições. Prefeitura aponta dificuldades operacionais e nega que o serviço esteja comprometido.
Por Equipe Legado Financy | 25 de outubro de 2026
A circulação de ônibus na cidade de São Paulo se tornou motivo de disputa política e judicial neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais. O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou a Justiça Eleitoral e pediu a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), Victor Hugo Borges.
A iniciativa foi motivada pela alegação de que a Prefeitura não estaria cumprindo integralmente uma decisão judicial que determinou a circulação de 100% da frota de ônibus prevista para dias úteis regulares durante a votação.
Segundo a representação apresentada pela federação formada por PT, PCdoB e PV, aproximadamente 60% da frota estaria em operação. O partido sustenta que a redução dos veículos poderia dificultar o deslocamento de eleitores até os locais de votação, especialmente nas regiões que dependem mais do transporte coletivo.
O pedido de prisão, porém, ainda depende de análise judicial. A apresentação da solicitação não significa que os gestores tenham sido condenados ou que a prisão tenha sido determinada.
Justiça determinou circulação integral dos ônibus
A decisão judicial foi emitida na sexta-feira (23), após questionamentos sobre o planejamento do transporte público para o segundo turno das eleições.
A determinação estabeleceu que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans disponibilizassem toda a frota operacional prevista para dias úteis regulares neste domingo, com frequência equivalente à praticada nesses dias.
A medida também considerou a gratuidade do transporte público municipal aos domingos, prevista no programa Domingão Tarifa Zero.
A decisão fixou multa individual de R$ 100 mil para o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e para o presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado.
Diante das informações sobre ônibus que permaneceriam nas garagens, o PT pediu que a Justiça adotasse providências para garantir a circulação integral dos veículos e apurasse a eventual responsabilidade dos gestores envolvidos.
A federação também solicitou dados detalhados sobre a operação, incluindo a quantidade de ônibus programados e efetivamente colocados nas ruas, separados por região e empresa responsável.
PT afirma que eleitores enfrentaram dificuldades
Na representação encaminhada à Justiça Eleitoral, o partido relatou problemas no transporte público em diferentes regiões da capital paulista.
Segundo a legenda, fiscais e moradores teriam informado sobre a demora na chegada dos coletivos e a baixa disponibilidade de veículos em bairros das zonas Leste e Norte, além da região central e da Avenida Paulista.
O partido argumenta que a situação poderia prejudicar principalmente os eleitores que dependem exclusivamente do transporte público para chegar às seções eleitorais.
A legenda também pediu providências para restabelecer a operação integral da frota e solicitou que as autoridades avaliassem medidas adicionais diante das dificuldades relatadas.
As reclamações apresentadas pelo partido, entretanto, não significam que todos os bairros tenham enfrentado o mesmo problema. A dimensão dos impactos depende da disponibilidade de veículos em cada linha e horário.
Dados mostram diferença entre a frota prevista e a que estava nas ruas
Os números divulgados durante o domingo apresentaram diferenças entre a estimativa do partido e os dados de monitoramento dos ônibus.
De acordo com informações atribuídas ao aplicativo Infobus, às 13h20 havia 9.892 ônibus em circulação, de um total de 13.790 veículos que compõem a frota municipal. Outros 3.898 permaneciam nas garagens.
O número representa aproximadamente 71,7% da frota total, percentual superior aos 60% alegados pelo PT.
A diferença não elimina, por si só, a possibilidade de problemas em determinadas linhas ou regiões. Os números precisam ser analisados considerando o horário da medição, a frota programada para operar e os critérios utilizados no monitoramento.
O levantamento também não comprova isoladamente quantos ônibus deveriam estar circulando naquele momento segundo a decisão judicial. Para isso, é necessário comparar os veículos efetivamente disponíveis com a programação operacional exigida.
SPTrans alega prazo curto para reorganizar o serviço
Em manifestação divulgada neste domingo, a SPTrans afirmou que recebeu a notificação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) às 13h10 de sábado (24).
Segundo a empresa, a determinação exigia que toda a frota prevista para dias úteis estivesse em operação no domingo, deixando menos de 12 horas para reorganizar a escala de trabalho e mobilizar os profissionais necessários.
A SPTrans informou que comunicou a ordem judicial às concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade às 13h32 de sábado.
A empresa alegou que os operadores relataram dificuldades para reorganizar as jornadas e a disponibilidade dos trabalhadores em prazo tão curto. Também afirmou que o planejamento anterior considerava folgas e a organização das equipes para o dia da votação.
A companhia declarou que respeita as determinações da Justiça Eleitoral e que continuava monitorando a disponibilidade da frota.
A justificativa apresentada pela SPTrans é um dos pontos centrais da controvérsia: enquanto o PT sustenta que a ordem deveria ter sido cumprida integralmente, a empresa afirma que o prazo para reorganizar o serviço dificultou a mobilização de todos os veículos.
Ricardo Nunes nega falta de ônibus
O prefeito Ricardo Nunes contestou as acusações relacionadas à operação do transporte público durante o segundo turno.
Em declaração divulgada pela imprensa, o prefeito afirmou que não havia falta de ônibus e argumentou que a demanda da população estava sendo atendida.
A administração municipal também sustentou que a reorganização da operação exigida pela decisão judicial enfrentou dificuldades em razão do curto prazo para mobilizar as empresas e os profissionais.
A posição da Prefeitura contrasta com a denúncia apresentada pelo PT, que pede a responsabilização dos gestores por suposto descumprimento da determinação judicial.
A avaliação sobre eventual irregularidade depende da análise da Justiça, que deverá considerar o conteúdo da decisão, os dados operacionais e as justificativas apresentadas pelas partes.
Como a redução da frota pode afetar a população?
A quantidade de ônibus disponível influencia diretamente a rotina de quem depende do transporte coletivo para trabalhar, estudar, realizar consultas ou cumprir outros compromissos.
Quando há menos veículos do que o necessário para atender à demanda, os passageiros podem enfrentar diferentes dificuldades.
- Maior tempo de espera: intervalos maiores entre os coletivos podem aumentar o tempo gasto nos pontos de ônibus. - Mais lotação: a concentração de passageiros em menos veículos pode dificultar o embarque e tornar as viagens mais desconfortáveis. - Atrasos nos deslocamentos: a demora pode prejudicar compromissos profissionais, consultas e a chegada aos locais de votação. - Gastos adicionais: passageiros que não conseguem esperar podem recorrer a aplicativos de transporte ou outras alternativas, dependendo da disponibilidade e do custo.
Esses efeitos não ocorrem necessariamente da mesma forma em toda a cidade. A situação varia conforme a linha, o horário, a demanda e a quantidade de veículos disponíveis.
Também não é correto afirmar que uma redução temporária da frota provoca automaticamente aumento da tarifa. Um eventual reajuste depende de decisões administrativas e de outros fatores relacionados à gestão do transporte público.
PT também pede ampliação do horário de votação
Além do pedido de prisão dos gestores municipais, a federação formada por PT, PCdoB e PV solicitou a prorrogação do horário de votação em São Paulo por duas horas.
O argumento apresentado foi que as dificuldades no transporte público poderiam impedir ou dificultar a chegada de parte dos eleitores às seções eleitorais antes do encerramento da votação.
A solicitação foi encaminhada às autoridades eleitorais, que precisariam avaliar os fundamentos apresentados e decidir sobre a possibilidade de alteração do horário.
A discussão ganhou relevância porque o transporte público é um dos principais meios de deslocamento para milhões de moradores da capital paulista, especialmente em regiões mais distantes dos locais de votação.
O que pode acontecer agora?
O pedido de prisão apresentado pelo PT não equivale a uma ordem de prisão já expedida. Cabe à Justiça Eleitoral analisar a solicitação, avaliar as provas e decidir quais providências são cabíveis.
Entre os pontos que podem ser considerados estão a quantidade de ônibus efetivamente colocada em circulação, a programação operacional prevista, o cumprimento da ordem judicial e as justificativas apresentadas pela Prefeitura e pela SPTrans.
A apuração também poderá esclarecer se houve diferenças significativas entre as regiões da cidade e se a operação disponível foi suficiente para atender à população durante o segundo turno.
Até que haja uma decisão das autoridades competentes, as acusações de descumprimento devem ser tratadas como alegações apresentadas pelo partido, e não como responsabilidade definitivamente estabelecida.
O episódio coloca em discussão a obrigação do poder público de garantir o transporte coletivo em dias de votação e a necessidade de conciliar o cumprimento das determinações judiciais com a organização operacional do serviço.
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